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Pesquisa aponta novos rumos para campanhas de prevenção ao câncer
27/07/2010
Na Alemanha, apenas um em cada cinco homens submete-se a um rastreamento de câncer ao longo da vida. No entanto, o ato de divulgar essa (alarmante) informação como forma de estimular a realização periódica de exames tem resultado oposto ao pretendido. Segundo estudo publicado na revista Psychological Science, essa mensagem deixa os pacientes ainda menos dispostos a fazerem a investigação necessária.
O trabalho foi feito por pesquisadores da Universidade de Heidelberg - Monika Sieverding, Uwe Matterne e Liborio Ciccarello. Em um estudo anterior, eles descobriram que os alemães que jamais tinham se submetido a um screening acreditavam que a maioria dos outros homens também fizera o mesmo. Em uma nova investigação, desejavam mensurar em que medida as "taxas de rastreamento" interferiam no comportamento desse grupo.
Foram entrevistados homens maiores de 45 anos, que liam um dos seguintes comunicados: o primeiro informava que 18% dos alemães haviam feito screening de câncer no último ano; o segundo dizia que 65% haviam se submetido ao procedimento ao longo da vida. Em seguida, os entrevistados eram indagados sobre suas intenções de submeterem-se ao procedimento nos próximos 12 meses.
O bom (ou mau) comportamento alheio influenciava as respostas. Quem leu o primeiro comunicado não apenas mostrou-se menos disposto a fazer o rastreamento como relutou em fornecer dados pessoais para receber mais informações sobre câncer. Já os entrevistados que leram o segundo comunicado demonstraram muito mais motivação para fazer os exames.
Os resultados animaram os autores. "Não se pode mudar atitudes facilmente, mas o direcionamento das campanhas é bem fácil de alterar", afirma Dra. Monika Sieverding. Para ela, as campanhas de orientação devem ser idealizadas de modo a indicar que a maioria das pessoas realiza um determinado procedimento, pois com mensagens positivas é mais fácil convencer a população.