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Dermatoscopia: um exame que previne câncer de pele
19/01/2005
Pintas e manchas escuras devem ser examinadas anualmente para evitar a doença

O doutor Francisco Macedo Paschoal é formado pela Faculdade de Medicina de Sorocaba, da Pontifícia Universidade Católica - PUC de São Paulo. Ele é formado há 15 anos, 13 dos quais dedicados à Dermatologia e à pesquisa de pintas e manchas escuras na pele. É mestre em Ciências Médicas pela Unifesp - Universidade Federal de São Paulo (ex-Escola Paulista de Medicina), doutor em Medicina pela Faculdade de Medicina da USP - Universidade de São Paulo e professor assistente da Faculdade de Medicina do ABC em Santo André, São Paulo.
Ele foi o pioneiro, no Brasil, na utilização da Dermatoscopia (exame indicado na avaliação de pintas e manchas escuras na pele). Em outubro de 2004, ele defendeu sua tese de doutorado sobre esse assunto.
As manchas e pintas todos nós temos, em maior ou menor escala, espalhadas pelo nosso corpo. O problema é que, às vezes, elas podem se transformar em câncer de pele. Se os dermatologistas realizarem esse exame, eles podem diagnosticar antes e melhor um melanoma (câncer) na pele. O diagnóstico precoce ajuda, inclusive, na cura, antes que a doença se espalhe, garante o médico.
O melanoma é um câncer de pele cuja principal característica é uma mancha escura e irregular. Ocorre que num determinado momento fica difícil distinguir o melanoma ou mesmo outros tipos de lesões que também podem ser escuros e irregulares sem a ajuda de um aparelho. E o médico pode mandar tirar uma pinta que não tem nenhum problema. E pode ignorar, porque está no começo, uma pinta que tenha câncer. É por causa disso que o exame da Dermatoscopia é importante: ?ele reconhece o joio do trigo?, garante o médico.
As pintas que apresentam perigo, é bom que se diga, não são necessariamente aquelas que têm um relevo. Elas são escuras em sua maioria ?enegrecida?, como diz o Dr. Francisco, para ressaltar que elas possuem a cor negra.

Situações de risco
Se você apresentar pintas ou manchas com uma destas características, está na hora de procurar um Dermatologista:
a) é a assimetria (?falta de forma?) da lesão. Quanto maior a assimetria, maior é o alerta;
b) as bordas das pintas estão diferentes;
c) as cores das pintas não são mais as mesmas;
d) o diâmetro não pode ter mais de 6 mm;
e, se sua pinta coçar, corra para o consultório.O exame
Este exame é preventivo e a precisão do diagnóstico (97% de acerto) preserva o paciente de remoções desnecessárias. O aparelho de dermatoscopia é uma câmera digital, acoplada a um computador, que amplia a imagem em 10, 20, 30, 40 ou 50 vezes. Tem aparelho que ampliar em até 70 vezes. A câmera possui um programa que ajuda na organização e na análise das imagens.
Nesse tipo de aparelho, a dimensão, o diâmetro e área das pintas são mais fáceis de serem avaliadas, porque os recursos do computador aumentam os detalhes do campo analisado. Ele também permite que o médico acompanhe, ano a ano, a evolução da pinta ? se ela cresceu, mudou de forma ou de cor.
Cada pinta leva, em média, 15 minutos para ser interpretada. Se o paciente possui muitas pintas, o doutor Francisco faz um mapa das pintas mais importantes para acompanhá-las mais de perto ou sugere a remoção.
Esse tipo de exame não é coberto por nenhum plano de saúde e não há tabela de reembolso, mas o preço é bastante accessível.
Exame Dermatoscópico das Lesões Pigmentadas Cutâneas
O que é dermatoscopia?
É um exame que analisa todos os sinais da pele cuja coloração varia do marrom claro ao preto. Inclui-se neste grupo as pintas ou nevos, as queratoses seborréicas e dois tipos de câncer de pele, o carcinoma basocelular pigmentado e o melanoma cutâneo.
Objetivos e indicações do exame:
A finalidade maior é diagnosticar o melanoma o mais cedo possível, bem como as lesões pigmentadas que podem evoluir para o melanoma. O exame avalia qualquer lesão pigmentada cutânea, mas ele é essencial na avaliação dos sinais de pessoas que apresentem várias pintas no corpo, porque ele detectará a possível existência de algum sinal perigoso, que pode virar um câncer.
Aparelhagem para realizar o exame:
A dermatoscopia pode ser realizada de três maneiras:
a) com aparelhos portáteis manuais conhecidos com dermatoscópios;
b) com máquinas fotográficas digitais com lentes específicas
para a fotografia da imagem dermatoscópica;
c) com vídeo-câmeras com adaptações especiais que
capturam e digitalizam a imagem para que a mesma seja visualizada no computador
(Dermatoscopia digital).
Como o exame é realizado?
É feita uma triagem clinica dependendo da quantidade de lesões a serem avaliadas. As que apresentem características que chamem a atenção - tal como tamanho, irregularidade ou várias cores (preta e marrom) - são documentadas com fotografias digitais em close up (bem de perto), com ampliações que variam de 20 a 50 vezes.
Ganho obtido com a dermatoscopia.
O método permite uma precisão maior no diagnóstico, evitando que pintas sadias sejam retiradas e indicando de forma mais precisa as lesões que devem ser retiradas (exérese biopsia) para um estudo histopatológico (que analisa a lesão no microscópio) e diagnóstico definitivo (câncer ou não). Os sinais que não apresentam indícios de malignidade podem ser monitoradas por meio das fotografias armazenadas em um banco de imagens digital. Este processo se chama Monitorização de Lesões Pigmentadas Cutâneas.
O que é a Monitorização de Lesões Pigmentadas Cutâneas.
Nem todo o sinal escuro da pele apresenta algum risco de ser ou se tornar um câncer de pele. Na verdade, a grande maioria dos sinais apresenta um caráter benigno. Algumas vezes ocorrem, com o passar dos anos, mudanças no tamanho e no aspecto dos sinais. Geralmente estas alterações representam processos evolutivos naturais e são benignas. A Monitorização é essencial para perceber, a tempo, qualquer alteração maligna.