Diferença entre carcinoma e melanoma

O câncer de pele, o mais incidente no Brasil, é um tumor formado por células da pele que sofreram uma transformação, que se multiplicam de maneira desordenada e anormal. De acordo com o Dr. Aldo Toschi, dependendo da parte afetada na pele, se caracterizarão como câncer do tipo Carcinoma (basocelular e espinocelular) ou do tipo Melanoma.
“Os carcinomas se desenvolvem em células epiteliais da pele, nas camadas basal ou espinhosas. São de crescimento mais lento e previsível, com menor risco de causar metástases. Já os melanomas desenvolvem-se em células primitivas, de origem embrionária. São células que tem um comportamento mais agressivo e imprevisível”, explica o dermatologista.
Dentre os principais fatores que indicam predisposição ao início desta mutação celular, aparecem a cor de pele, cabelos e olhos (quanto mais claros maior o risco), a genética (histórico familiar com antecedentes de câncer), a idade (mais comum após 40 anos), a exposição solar frequente (a maior parte dos cânceres de pele ocorre em áreas da pele que estão regularmente expostas à luz solar) e o maior número de queimaduras solares. “Embora estes fatores aumentem as chances do aparecimento da doença, ela pode atingir qualquer pessoa que não se encaixe nas características acima.”
Sintomas e desenvolvimento da doença
Segundo o diretor da SBCD, os cânceres do tipo carcinoma frequentemente aparecem em áreas descobertas cronicamente ao sol e são fruto dessa exposição lenta e gradual, sendo mais frequente após a quarta década de vida, em pessoas que abusaram muito do sol ou tiveram queimaduras que lesionaram a pele. Já os Melanomas, têm incidência maior no indivíduo com histórico familiar da doença e se apresenta na forma de uma pinta escura nova ou através de uma pinta preexistente (nevus) que cresce e muda de aspecto. “Os pacientes de pele clara, com muitas pintas ou pintas extensas e mal definidas, têm maior risco de desenvolver esse tipo de câncer. Os melanomas podem se desenvolver também nas unhas, regiões de palmas das mãos e plantar dos pés sem ligação com exposição solar”, revela o dermatologista.
Os melanomas apesar de serem mais letais são menos frequentes, atingindo 5% do total dos cânceres cutâneos, enquanto os do tipo carcinoma representam 94% dos cânceres de pele. Todos os demais tumores mais raros somam cerca de 1% do total.
Há diferenças também no que tange ao aparecimento dos sintomas. Feridas e verrugas que sangram facilmente, não cicatrizam, tumorações ou nódulos salientes que coçam um pouco e surgem repentinamente caracterizam os Carcinomas. Já os melanomas normalmente são assintomáticos. “Pintas ou manchas podem crescer silenciosamente e muitas vezes só são percebidos por parentes e profissionais de saúde. Muitas vezes profissionais como cabeleireiros, manicures, podólogos, massagistas e fisioterapeutas, pelo contato próximo e frequente com a pessoa, são quem percebe estes aspectos alterados e aconselham a procurar por um dermatologista”, relata Dr. Aldo Toschi.
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Tratamentos
A detecção dos casos de câncer da pele é feita por meio de exame clínico dermatológico, e o tratamento é realizado pelo cirurgião dermatologista. Para os carcinomas isso já pode ser suficiente, e o médico, muitas vezes, lança mão de biopsia das lesões apenas para confirmar o diagnóstico ou a extensão do problema e assim prescrever o tratamento mais indicado.
Para o diagnóstico precoce do melanoma, o uso de lentes de ampliação com luz polarizada e o exame dermatoscópico (microscopia de superfície ou epliluminescência) é muito importante. Esses equipamentos são capazes de detectar alterações na pigmentação da pele ainda não perceptíveis ao olho humano e às lupas convencionais. “Somente após a constatação das evidências clínicas, como profundidade e extensão do local afetado tanto pelo carcinoma como pelo melanoma, é que as terapias específicas para cada caso poderão ser aplicadas, antes mesmo de se optar por uma cirurgia”.
Dentre as várias técnicas voltadas ao tratamento dos carcinomas e do melanoma e com base em sua experiência em oncologia cutânea, o Dr. Aldo Toschi afirma que a cirurgia de margens microscopicamente controlada (Cirurgia de MOHS ou Controle por biopsias seriadas de congelação intraoperatória) é o procedimento que hoje mais pode auxiliar na cura, principalmente em tumores que crescem em áreas mais críticas como pálpebras, nariz e orelhas (onde há maior risco de reincidência das lesões). Outra grande tendência são os cremes imunoterápicos que melhoram as defesas antitumorais da pele. São mais indicados para o combate das lesões menores e mais superficiais.
“A cirurgia dos carcinomas da pele deve ser feita de modo a remover a lesão totalmente e um pouco de tecido sadio ao redor (margem de segurança). No entanto, há situações em terapias alternativas, como cremes de ação quimioterápica, imunoterápica, terapia fotodinâmica, crioterapia (terapia pelo frio), radioterapia (em casos muito específicos) podem ser efetivas. Estas opções, porém, serão definidas pelo cirurgião dermatologista após avaliação da profundidade e extensão da lesão e estado geral do paciente. Já o Melanoma deve ser tratado sempre de modo cirúrgico, e muitas vezes a cirurgia precisa ser ampliada com margens maiores que seguem rígido protocolo de conduta a fim de evitar a reincidência do tumor e/ou sua progressão para os linfáticos e outros órgãos do corpo”, explica o diretor da SBCD.
Para os pacientes de maior risco de terem melanoma o maior aliado do médico dermatologista é o mapeamento corporal total e a fotodermatoscopia, exame que auxilia muito no monitoramento dessas pessoas.
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Tendência
Atualmente há estudos envolvendo drogas imunobiológicas já disponíveis que interferem com a formação de proteínas importantes na reprodução dos tumores. “As drogas imunobiológicas estão sendo usadas apenas em casos específicos e seu alto custo ainda é um ponto restritivo aos pacientes brasileiros. No combate aos Carcinomas avançados e agressivos o princípio ativo utilizado é o vismodegib e no tratamento do Melanoma, o epilumimab tem aumentado e melhorado a sobrevida de pacientes com doença avançada, mas não chega a mudar a evolução fatal da doença”, descreve o dermatologista.
Como qualquer pessoa pode ser acometida pelo Câncer de Pele, a melhor estratégia, no entanto, é a prevenção e o tratamento primário. Isto é, procurar um dermatologista ao suspeitar de algo errado com alguma manchinha, sinal ou ferida. “Para se prevenir, a regra de ouro é: tome banho de sol nos horários adequados e sempre utilize métodos de proteção solar compatível com seu tipo de pele“, finaliza Dr. Aldo Toschi.

Fonte:

Revista Vigor